domingo, 30 de outubro de 2011

A Partida



"Continuei indo ao Ness, andava sempre com J.P e Pedro o qual sempre chamara de campeão. Dois garotos que sempre me faziam rir. Num domingo nublado eu e J.P estavamos na estreita arquibancada de um campo proximo ao Ness, era campeonato onde Pedro jogaria como zagueiro.  O jogo começou e Pedro na ponta correndo com a bola me mandou um beijo quando gritei 'meu campeão'. Em 30 minutos de jogo ele tinha feito 2 gols. No começo do segundo tempo Pedro parou no centro do campo, caiu de joelhos, e entregou seu corpo todo ao chão. Corri até ele, apoiei sua cabeça em meu colo. Olhos fechados. Em seu peito um silêncio. O suor escorreu como uma lágrima até cair na grama e se misturar com a leve garoa. Já não havia vida naquele corpo, que em segredo tanto desejei. Senti a bola roçar meu corpo até parar ao lado de suas pernas esticadas.
Outro amigo me deixara. Outro corpo que jamais foi meu. Outro sonho. Outra morte.


Traços Abstratos

Vim de longe para ver tua glória
Que resplandece agora longe de meus olhos
Com outras glórias que assim partiram
Com outras lágrimas que jamais caíram

Vim de longe para fazer acontecer
Para viver em volta de vidas mortas
Que vivem e morrem sem que possam me ver
Como a noite que foge sem despedir-se do amanhecer

Vim de longe para ver os estilhaços desta coesão
Para sorrir sobre corpos sem expressão
Para morrer um pouco a cada dia com outras vidas que se foram ou se vão

Vim de longe para os que pra longe se vão
Esses corpos sem rumo, que suspendem a respiração
Pausas inacabáveis de oxigênio e saturação

Para Pedro Augusto, meu eterno Campeão. ''

Amanda Droich.

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