'' Nove anos, imatura, infantil, inocente. Sentada no chão do quintal com uma caneta e um caderno no colo. A caneta desenhava traços e verbos sobre linhas quase invisíveis, borradas pelas lágrimas que ainda evaporavam no papel. E assim descobri um dom, descobri a mim mesma. Reli várias vezes sem acreditar em minhas próprias palavras.
Esperança
Até certo momento a ilusão me coloca entre visões e pensamentos
Corações em trevas
Que me levam ao fundo da solidão
Pelo meio me parte colocando mágoa em cada um dos lados
Então uma estrela cai
Ao lado do meu coração
Me leva de volta pra terra
Onde milhares de outras estrelas, brilhando
Me aguardam
Para tocar o sino da liberdade
Onde as trevas serão destruídas e só haverá luz
Até o ultimo dia de uma vida solta, em qualquer esquina
Pedindo para não ser aprisionada
Pois a liberdade já a agarrou e a guardou em sete cadeados
Que se abrirão junto ao vento
Mas me trancam novamente
Mas me trancam novamente
e sem piedade
Unem meus lados
Com a tristeza em mim
Me devolvendo ao poço
Ao fundo da solidão
A ilusão volta com suas visões e pensamentos
E quando tudo se perde
Um grito é dado
Um grito de esperança
Que derrota tudo
E me liberta para sempre
Eu só tinha nove anos, e já estava nas mãos do incerto e do inusitado. ''
Amanda Droich

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