
Na sala eu e Carol nos acabávamos em risos o por tudo e por nada. Me apeguei a seis garotos que sentavam ao meu redor com rapidez, não me via sem eles, os quais chamava de filhos. Um deles despertava em mim sentimentos inexplicáveis a anos. Olhos, da cor da linha do horizonte entre o céu e o mar. Era o tipo de garoto incerto e imprevisível, cada olhar um mistério, cada palavra uma canção. Nos tornamos amigos e para maior tortura, só amigos. O amei durante quatro anos, o ensino médio inteiro. Me apaixonava por outros olhares, me esquecia em outros braços, mas sempre que o via, deixava de existir um corpo, e me tornava apenas um suspiro, que assobiava de desejo. Nos aproximamos cada vez mais, como uma irmã o ouvia e, com ele desabafava. Admirava em silêncio cada detalhe, o perfume sempre presente, a sutileza, o sorriso torto, nuca lisa, mãos suaves que só sentia ao cumprimenta-lo. Aprendi a vê-lo como irmão, até que de todo aquele amor, hoje sobram apenas lembranças e saudades. O único corpo que não tive, o único corpo que sobreviveu ao meu amor.
Cada olhar uma vida e cada suspiro uma morte
Vivi de desejos morri de ilusão
O amei até que decifrei seu olhar
E quando tudo fez sentido
Me coloquei em seu lugar
Digo com gosto agridoce na boca
Que tua boca nunca provei
Teu corpo nunca toquei
Tua pele nunca beijei
Teu riso
de risos
sorria
fazendo-me sorrir
Passos rígidos sempre olhando pra trás
Para como amiga estender minha mão
até que você se sinta todo abraçado
Para T.H.S. Sampaio, A linha do horizonte entre o céu e o mar.
Amanda Droich.